CIÊNCIA POLICIAL E A PERSPECTIVA DE FEYERABEND SOBRE O CONHECIMENTO CIENTÍFICO
DOI :
https://doi.org/10.59633/2316-8765.2025.383Mots-clés :
Ciência Policial, ciências policiais, feyerabend, contra o método, polícia baseada em evidências, anarquismo epistemológicoRésumé
A definição do que seria uma Ciência Policial (ou Ciências Policiais, no Brasil) permanece em discussão. A despeito disso, seu objeto parece bem delimitado: toda a atividade de Polícia e tudo o que impacte o policiamento e a ordem pública. Este escopo, extremamente amplo, implica na adoção de múltiplas metodologias – “emprestadas” de outras disciplinas, visto a ausência de uma metodologia própria. Não obstante a multiplicidade metodológica, o conhecimento produzido pela Ciência Policial deve levar em consideração o conhecimento tradicional, produzido pelas experiências das instituições policiais e de seus membros, bem
como aspectos éticos e jurídicos. Isso sugere que a adoção de uma epistemologia mais lata, como as propostas de Paul Feyerabend, contribuiria muito para a produção do conhecimento na Ciência Policial. Ao longo do estudo, foram discutidos diversos aspectos da epistemologia de Feyerabend, aplicados aos estudos da Ciência Policial. Destacaram-se os quatro pontos centrais em sua obra: o anarquismo epistemológico, a contraindução, a incomensurabilidade e o interacionismo. A proposta de Feyerabend também foi contraposta com discussões filosóficas acerca da Ciência Policial e alguns pontos presentes em discussões recentes sobre polícia baseada em evidências. Concluiu-se que, para uma produção científica de maior qualidade e de maior aplicabilidade, é necessária a interação entre o conhecimento científico e o conhecimento tradicional das polícias. Essa interação pode se dar através da imersão de acadêmicos nas polícias, ou de policiais na academia. Porém, independentemente da forma, é necessário o desenvolvimento intelectual dos próprios policiais para que a aproximação seja possível e frutífera.
##plugins.themes.default.displayStats.downloads##
Références
FEYERABEND, Paul K. Against method. 3 ed. London: Verso, 1993.
FEYERABEND, Paul K. Ciência em uma sociedade livre. São Paulo: Unesp, 2011.
FEYERABEND, Paul K. Ao término de um passeio não-filosófico entre os bosques. In: FEYERABEND, Paul K. Diálogos sobre o conhecimento. São Paulo: Perspectiva, 2012.
HOLCR, Kveton; PORADA, Viktor; HOLOMEK, Jaroslav; PIWOWARSKI, Juliusz. Theoritical Foundations of Police Sciences. Secutiry Dimentions, v. 2015, n. 14, p. 17-28, 2015.
HUEY, Laura; MITCHELL, Renée; KALYAL, Hina; PEGRAM, Roger. Implementing evidence-based research: a How-to Guide for Police Organizations. Bristol: Bristol University Press, 2021.
JAMES, Lois; VILA, Brian; DARATHA, Kenn. Results from experimental trials testing participant responses to White, Hispanic and Black suspects in high-fidelity deadly force judgment and decision-making simulations. Journal of Experimental Criminology, v. 9, n. 2, p. 189–212, 2013. DOI: https://psycnet.apa.org/doi/10.1007/s11292-012-9163-y.
JASCHKE, Hans-Gerd; BJØRGO, Tore; ROMERO, Francisco B.; KWANTEN, Cess; MAWBY, Robin; PAGON, Milan. Perspectives of Police Science in Europe: Final Report. Bramshill: 2007.
JASCHKE, Hans-Gerd; NEIDHARDT, Klaus. A Modern Police Science as an Integrated Academic Discipline: A Contribution to the Debate on its Fundamentals. Policing and Society: An International Journal of Research and Policy, v. 17, n. 4, p. 303-320, out.- dez. 2007.
LEAL, Halina M. Paul Feyerabend e Contra o Método: quarenta anos do início de uma provocação. Cadernos IHUideias, v. 14, n. 237, p. 3-16, 2016.
LLOYD, Elisabeth A. Feyerabend, Mill, and pluralism. In: PRESTON, John; MUNÉVAR, Gonzalo; LAMB, David. The worst enemy of science? Essays in memory of Paul Feyerabend. New York: Oxford, 2000. p. 115-124.
NÄGEL, Christof; VERA, Antonio. Police science as an emerging scientific discipline. International Journal of Police Science & Management, v. 22, n. 3, p. 242-252, set. 2020.
SANDEL, William L.; MARTAINDALE, Hunter; BLAIR, J. Pete. A scientific examination of the 21-foot rule. Police Practice and Research, v. 22, n. 3, p. 1314-1329, 2021. DOI: https://doi.org/10.1080/15614263.2020.1772785.
SIM, Jessica J.; CORRELL, Joshua; SADLER, Melody S. Understanding Police and Expert Performance: When Training Attenuates (vs. Exacerbates) Stereotypic Bias in the Decision to Shoot. Personality and Social Psychology Bulletin, v. 39, n. 3, p. 291–304, 2013. DOI: https://doi.org/10.1177/0146167212473157.
TAYLOR, Paul L. “Engineering Resilience” Into Split-Second Shoot/No Shoot Decisions: The Effect of Muzzle-Position. Police Quarterly, v. 24, n. 2, p. 185–204, 2021. DOI: https://doi.org/10.1177/1098611120960688
TUELLER, Dennis. How Close is Too Close?. SWAT Magazine, mar. 1983. Disponível em: <http://www.theppsc.org/Staff_Views/Tueller/How.Close.htm>.
WOOD, Dominic; COCKCROFT, Tom; TONG, Stephen; BRYANT, Robin. The importance of context and cognitive agency in developing police knowledge: Going beyond the police science discourse. The Police Journal: Theory, Practice and Principles, v. 91, n. 2, p. 173-187, 2018. DOI: https://doi.org/10.1177/0032258X17696101.
Téléchargements
Publiée
Licence
(c) Copyright Revista Ciência & Polícia 2025

Ce travail est disponible sous la licence Creative Commons Attribution 4.0 International .
Este artigo está licenciado sob uma Licença Creative Commons. Com essa licença você pode compartilhar, adaptar, para qualquer fim, desde que atribua a autoria da obra, forneça um link para a licença e indique se foram feitas alterações.



