Todo Jogo é Risco: Futebol e Violência Doméstica no Distrito Federal
Palavras-chave:
violência doméstica, futebol, segurança pública, deslocamento temporalResumo
Este artigo investiga a relação entre futebol e violência doméstica no Distrito Federal, caracterizado como “território neutro”, com o objetivo de mapear janelas de vulnerabilidade pós-jogo que possam informar a alocação de recursos policiais. A partir de 118.240 registros da Lei Maria da Penha (2020–2025), 1.037 jogos dos cinco clubes de maior torcida e modelos de regressão de Poisson com efeitos fixos temporais, os resultados matizam a teoria da frustração-agressão: sua aplicabilidade é condicional. A análise inferencial revela que dias com jogos elevam a contagem de ocorrências (IRR = 1,018; p < 0,05). A análise estratificada demonstra que, em dias úteis, derrotas elevam o risco em +10,5% em comparação a vitórias, hipoteticamente via interação com o estresse laboral; nos fins de semana, a direção se inverte: vitórias elevam o risco mais que derrotas (−3,2%), sugerindo que a celebração mediada pelo consumo de álcool é o vetor dominante. A comparação entre jogos televisionados e presenciais no Estádio Mané Garrincha (n = 20 com público) indica deslocamento sutil da distribuição horária, com aumento de +1,2 pontos percentuais na madrugada. A análise espacial por zona de distância ao estádio não confirma o gradiente de deslocamento previsto pela teoria das atividades rotineiras. A contribuição substantiva reside na demonstração de que todo dia de jogo constitui janela de risco, independentemente do resultado.
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